terça-feira, 5 de maio de 2009

CÁ COM MEUS BOTÕES

Sempre quis ser independente. Talvez tenha sido esse o primeiro grande sonho da minha vida. Bastava surgir uma intempérie pra falar com orgulho e certeza: - um dia vou ser independente! Como se esse simples fato, tão inevitável, mesmo pra quem não contou os dias pra conquistá-lo, pudesse fazer tudo mudar. E pode. Não exatamente porque pago minhas contas, moro sozinha e, teoricamente, não devo nada pra ninguém. Hoje sei que a palavra independência tem uma dimensão muito maior do que dinheiro, profissão e quatro paredes. Administrar vida, corpo e mente traz resultados que muita gente prefere adiar. Mas a ansiedade quis tudo pra ontem, o pacote completo. Faz-me rir lembrar o quanto sentia-me adulto, no baixo dos meus 17 anos. Querendo ter o controle do relógio e as rédeas da minha existência. Tolinho. Só o que ganhei foi uma doença quase grave. Agora, no médio dos 26, tenho, ao menos, a consciência de que saber, sei quase nada. Continuo cheio de sonhos, como a necessidade absurda e inalcançável de fazer tudo certo, o tempo todo. Não desisto, mas também não me torturo. Se é lógico que o crescimento e o aprendizado vêm como consequência, é inútil querer ter sempre o controle. 

YOU KNOW, I'M NO GOOD 

Não sou nem metade da pessoa que quero me tornar. Hoje reformulo: não sou nem um terço. Porque, já diria o filósofo, excelência não é um lugar onde se chega. Excelência é o horizonte.

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