segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Contar até três

A cada dia tenho a convicção de que a operação matemática mais difícil nos momentos de intempestividade é aquela de contar até o número três. Isso por constatar que nas atitudes impensadas as lamentações, desculpas, arrependimentos se fazem presentes. Sendo que essas reações poderiam ser evitadas se tivéssemos parado e usado os três segundos para o "nada".

É no silêncio que se pode falar alto, é no "nada" que podemos encontrar muito. E é, muitas vezes, quando desejamos tudo é que nos perdemos em nós mesmos. Passando a colocar nos outros responsabilidades que quase sempre deixamos de notificá-los a respeito das mesmas. Tudo isso por deixarmos em segredo todas nossas expectativas.

Quando aprendi essa infalível saída matemática, aprendi que não posso, não devo pré julgar o meu próximo. Sempre dou as pessoas as chances que dou a mim mesmo. Não me justifico mais. Mas, me explico sempre. Ou quase sempre. Em qualquer ofensa dirigida a mim, espero a calma e perdoo até o perdão não pedido, e desculpo até mesmo a desculpa muda numa retificação que pode nunca chegar. Mas quando corrigido um discurso me acalmo e me dou a chance de apreciar a atitude maior e humilde de um sorriso que meus olhos podem ver.

Sempre me dou as chances que me forem necessárias para seguir no caminho das coisas que acredito. Me dou a chance de me reconhecer.

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