sábado, 16 de abril de 2011

De novo

Me sinto uma farsa, desperdiçando palavras sobre aquilo que não sinto e queria sentir.
Sorrisos que imploram por uma escapatória, gritam a noite e sussurram todos os dias no meu ouvido, o quanto já cansaram de uma estampa que já não trasmite mais nada.
Me escondo atrás de mesas de escritório, que me abraçam durante o horário comercial.
Crio textos que são ditos em frente às câmeras, mas, atrás delas, nunca sei o que falar.
Sangro as pontas dos dedos, forçadas a desabafar, seco os olhos tão acostumados com um afogamento contínuo, cansativo, patético.
Engulo seco, palavras cortadas ao meio, vomito frases sem sentido algum.
Não olho fixo, desvio, nem vejo.
Fujo com a mesma covardia infantil usada por quem soltou minha mão.
Busco, procuro... Não preciso de muito pra escapar do que não consegui arrumar.

Um comentário:

Drica disse...

como se falar fosse nossas grande salvação, acho que talvez a única coisa que pudesse enfim nos acalmar sria se ao menos alguém podesse nos escutar. Estamos vazios pela falta de humanidade, pelo egoismo de sempre. ÓTIMO SEU TEXTO, MEUS PARABÉNS!