quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O que levamos da vida?

Além do bem que a gente faz?


Já contei algumas vezes  a minha admiração por atitudes altruístas. Mas não contei que – tal qual, acredito eu, grande parte das pessoas – muitas e muitas vezes encontrei desculpas, mesmo que sem querer, para justificar a minha falta de atitudes semelhantes.

“Quando eu tiver mais dinheiro” e “quando eu tiver mais tempo” são algumas das cômodas frases que me convenciam a esperar a hora certa para ajudar o próximo.

Enquanto escrevo este texto, lembro rapidamente de roupas, eletrodomésticos e brinquedos que dei de presente para pessoas que trabalharam comigo, crianças próximas e até instituições. É inevitável, não? Acabamos por fazer pequenos gestos de bondade no decorrer dos dias. 

Sem a pompa de importantes ações sociais desenvolvidas por aí, lá estava eu, nesta quinta, após o meu último dia de trabalho, quase paralisado na frente de um balcão dos Correios. Fui até lá com o intuito de escolher uma cartinha pra trazer alegria a alguma criança neste Natal…

                                                                                  Algumas das cartas no correio



E  fui eu quem recebeu várias lições e uma paz profunda no coração!

Devo ter ficado mais quarenta minutos naquele balcão. Só Deus sabe quantas lágrimas segurei em cada mal traçada linha lida naquelas cartas. Leitor assíduo que sou – até de rótulo de shampoo – fui tomado por uma incrível e confusa sensação de alegria e tristeza ao explorar aquelas letrinhas miúdas e lindamente tortas destinadas ao Bom Velhinho.

Conheci sonhos e histórias de meninos e meninas de vários bairros aqui da cidade. Uma chuteira, uma bola, bicicleta, roupas, kits de maquiagem,  uma cesta básica para os pais, um agasalho para o avô, bonecas… pedidos tão simples, mas tão cheios de esperança. Tive vontade de escolher todos! E fiquei arrependido, claro, por ter demorado tanto tempo pra participar dessa iniciativa.

Acabei escolhendo uma cartinha de uma menina que tem seis irmãos, que não costuma ganhar presentes de Natal. O que me cativou? A última frase do relato: “quero ganhar qualquer bonito presente que você escolher, Papai Noel”.  Sai de lá e já fui comprar o presente bonito! Foi uma sensação muito boa!

Mal sabe ela, tão pequena, que no final das contas a maior beneficiada dessa história serei eu. Penso até em ir  até a casa dela levar o presente (como boa ajudante do bom velhinho que sou!. Gostaria de ver o brilho nos olhos de alguém que nem conheço, mas que já nutro um grande carinho.

2 comentários:

Popejen disse...

Não te falei que era bom!


Entrega mesmo!!!!

Carlos Fillipe disse...

Mto legal!