Expectativa nem sempre é sinônimo de frustração. Nos últimos tempos é que percebi que não. Muito pelo contrário. Cada vez mais reconheço isso, que muitas vezes deixa até o meu lado mais racional com medo. Entendo os segredos do meu pensamento. Acredito nos sinais. E, por isso, sempre chego ao final vendo que a primeira impressão – a constatação instantânea – é sim a que fica.
Posso até tentar me enganar no meio do caminho, me perder, querer e crer em mudanças de rota impossíveis... Mas quando o avião desembarca no destino onde tenho de desfazer as malas, a verdade é uma só. A gente só pisa no chão de uma cidade para a qual comprou a passagem. Com escalas, ou não, a bagagem só sai na esteira certa. E, na alfândega, só se paga o preço do imposto previsto, a não ser que o excesso não seja visto.
Passei por ela e agendei as próximas viagens. Fiz o roteiro da vida que pagarei em prestações. Em mínimas doses e máximo proveito, quase que de forma homeopática. Até o momento, o preço se superou para menos e o prazer tem sido imenso.
A vida é assim, sim. O que posso prever é o que mostra o exame de ultra-som. Naquele momento, ouvi o coração bater. Engravidei do futuro sem querer querendo. Uma espera paciente até que ele esteja pronto para nascer.
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