Hoje vou postar um texto que discutimos ontem no meu trabalho. Ele diz respeito aos aspectos das linhas editoriais dos veículos de comunicação mais conhecidos do país. Não sei quem é o autor (é mais um daqueles textos que circulam na rede com autor desconhecido), mas, a pessoa que escreveu tem uma boa noção sobre o perfil desses veículos de comunicação e soube brincar com as características de cada um deles. Conseguiu também encontrar um jeio engraçado para nos mostrar como anda a Comunicação produzida no Brasil.
Ler este texto também é importante para nos lembrar que não é muito aconselhável que o leitor ou telespectador seja muito fiel a um único veículo, porque dessa forma, ele corre o risco de se acostumar demais com um estilo jornalístico e acabe se limitando a conhecer outras versões e visões dos fatos.
Enfim, divirta-se e reflita com o texto abaixo. Chapeuzinho Vermelho na Imprensa - Diferentes maneiras de contar a mesma história:
JORNAL NACIONAL: (William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...'. (Fátima Bernardes): '... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.
PROGRAMA DA HEBE: 'Que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'
BRASIL URGENTE (Datena): '... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.'
REVISTA VEJA: Lula sabia das intenções do lobo...
REVISTA CLÁUDIA: Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
REVISTA NOVA: Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.
FOLHA DE S. PAULO :Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O ESTADO DE S. PAULO: Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.
O GLOBO: Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.
AQUI: Sangue e tragédia na casa da vovó.
REVISTA CARAS :(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte). Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'.
PLAYBOY: (Ensaio fotográfico no mês seguinte) Veja o que só o lobo viu.
REVISTA ISTO É: Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
G MAGAZINE: (Ensaio fotográfico com lenhador). Lenhador mostra o machado.
SUPER INTERESSANTE: Lobo mau! Mito ou verdade?
DISCOVERY CHANNEL: Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.
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Minha conclusão:
A midia que tem como missão informar a população sem emitir sua opinião, mas cada vez mais ela assume o papel de julgar, condenar, de maneira precipitada, muitas pessoas da sociedade sendo certas vezes tendenciosa. A opinião da imprensa está evidente em vários fatos do nosso cotidiano.
Na política isso fica mais claro. Afinal, a grande mídia foi contra aos governos de JK e Getúlio Vargas; apoiou o golpe militar de 1964 e a ditadura; apoiou Collor e abafou a crise econômica do Brasil em 1998 para que FHC pudesse ser reeleito.
Esses fatos, comprovam que a imprensa nacional além de ser parcial, pertence a algumas poucas famílias, é um oligopólio e defende interesses de certas oligarquias do país. Se a imprensa brasileira não consegue ser imparcial como deveria ser , acho que ao menos é preciso democratizá-la, é preciso diversificá-la, para que ela não continue sendo propulsora de um pensamento único.
Enquanto isso não acontece, é cabe a sociedade buscar e diversificar suas fontes de informação para que com isso criem sua própria opinião, deixando de se informar apenas por certa poderosa rede de TV e suas afiliadas, bem como deixando de lado rádios ligadas a esses oligopólios de comunicação.
O ideal é, sempre que puder, variar as fontes de informação, ou mesmo comparar as diferentes maneiras como as notícias são apresentadas e, só depois, cada cidadão refletir sozinho e ter discernimento para formar sua própria opinião.
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