Quando amamos alguém é possível que o desejo venha como gratificação, mas quando apenas desejamos uma pessoa, nem sempre o amor se torna real em nossas vidas. Amar é um vício, é difícil livrar-se dele, vai aos poucos nos consumindo a cada hora, todo dia, a vida inteira. O desejo é igual esporte, tem começo, meio e fim, e apenas um vencedor.
Amar não é o mesmo que desejar. O amor é como o sol, o amanhecer, a madrugada, por mais longa que seja a noite o dia sempre nascerá. O amor é uma certeza. O desejo pode ser comparado a chuva, muita vezes nos engana, por mais bonita que se faça no horizonte, cinzenta, escura, nem sempre a água cai, e quando as nuvens se deixam verter em chuvas, pode ser uma neblina, uma tempestade, inverno ou tormenta de verão, o fato é que passará.
O amor se fortalece a medida que o tempo passa, vai se solidificando nas provas que a vida impõe, ficando raízes mesmo no solo árido e pedroso. O desejo não suporta obstáculos, se esvai com os problemas, foge diante das dificuldades, encolhe com as discussões, não suporta diferenças.
O amor silencia. O desejo reclama. O amor compreende. O desejo critica. O amor aceita. O desejo expele. O amor cresce com o tempo. O desejo morre depois de realizado. No amor os dois vencem. No desejo apenas num goza. O amor espera. O desejo dispensa. Amar é sonhar. Desejar é conquistar. O amor é eterno. O desejo efêmero. O amor une. O desejo separa. O amor se sacia. O desejo quer sempre mais. O amor é fiel. O desejo varia. O amor acredita. O desejo mente. O amor confia. O desejo é inseguro. O amor deseja. O desejo nunca ama.
O amor é um sentimento. O desejo é uma sensação. Os sentimentos são para sempre. As sensações passam com o tempo. Quando nos queimamos no fogo temos por alguns momentos a sensação da queimadura, da ardência, no entanto, o sentimento de medo do fogo no acompanhará por toda a vida.
Para Bertrand Russel o amor aprende a respeitar reciprocamente a vida de um e outro, percebe que nada pode inibir a liberdade do outro, que ninguém tem direitos sobre outra pessoa e que o ciúme e a possessividade aniquilam qualquer sentimento, incluindo o próprio amor.
O amor concede liberdade ao outro e espera que ele cresça com essa possibilidade de fazer o que bem entender, realize seus sonhos e esperanças, busque seus caminhos e traça seu destino. O desejo é como aparelho que usa as pilhas de que necessita e depois troca por outras.
Para o amor não importa o tempo, a distância, ele a tudo vencerá para se realizar. Para o desejo o que importa é o momento presente, o aqui e o agora onde ele possa realizar seus impulsos e sensações.
Quando amamos alguém o fazemos sem cobrar sentimento igual em troca, uma vez que o amor é espontâneo, livre e oferecido sem permuta. O desejo não vinga sozinho, precisa realizar-se a dois e sempre cobra algo em troca por aquilo que dá.
Para amarmos alguém não precisamos que a outra pessoa nos ame, só precisamos sentir, mas quando desejamos alguém, é necessária uma recíproca, uma troca, caso contrário o desejo tenderá a morrer.
Por fim, citando o Prêmio Nobel de Literatura Bertrand Russel, “o amor em sua totalidade, é uma combinação indissolúvel de dois elementos, deleite e benquerer”.
Ou seja, amor e desejo.
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