terça-feira, 10 de maio de 2011

"A LOUCA DA CASA"



Este é um livro foi recomendado para mim por uma amiga jornalista muito especial e que me conhece bem. Dessa vez, ao contrário do que sempre faço, não irei recomendar pra todo mundo. Recomendo apenas para aqueles seres (abençoados, cá entre nós) que são apaixonados pela leitura e, especialmente, pela escrita.

Que não conseguem passar por uma livraria sem entrar, que guardam nas gavetas cadernos, diários e milhares de blocos com anotações ou poesias perdidas, que têm a pretensão de um dia publicar um romance ou uma ficção, que se contentam com um blog.

Este livro é pra todos aqueles que têm na criatividade e na imaginação, todos os dias, suas maiores aliadas na arte de viver. Que têm as estantes abarrotadas de artigos e publicações, que não se importam em ler mais de um livro ao mesmo tempo.

Melhor: é um livro pra você, que sabe que tanta leitura, tanta informação e tanta capacidade de expressão jamais serão suficientes pra saciar esta vontade maravilhosa de viajar por outros mundos – ou fazer do leitor um viajante.

A escritora espanhola Rosa Montero, mais uma vez de maneira deliciosa, tenta fazer-nos entender como funciona a cabeça de um escritor. Por que ele escreve? De que mundo enigmático surgem as ideias? A Louca da Casa nada mais é do que a nossa complexa imaginação. Identifiquei-me com tantos parágrafos que me senti incapaz de escolher apenas um pra mencionar aqui.



De qualquer forma, aproveito a oportunidade para publicar a minha versão dos fatos. :)


[O texto abaixo é de minha autoria e foi publicado neste blog em 26 de dezembro de 2010]



É PELA VERDADE QUE EU ESCREVO E PARA MIM TAMBÉM



É pela verdade que escrevo...Pra jamais subestimar ou superestimar o que já me aconteceu...
Aqui entre nós, ainda que de forma inconsciente, todos acabamos por enfeitar, omitir ou apagar momentos que vivenciamos e ideias que tivemos. 
É natural. É humano.
Mas eu simplesmente não admitiria, por exemplo, marginalizar o que já pensei ou desejei. Não me permitiria mentir para mim mesmo. Quero a certeza, sem lacunas, dúvidas ou imaginações. Quero a verdade para me conhecer, entender-me, crescer. Só assim me sinto forte.
Escolher a melhor maneira de agir, principalmente nos momentos mais difíceis - e de uma maneira que me satisfaça – fica muito mais fácil estando ciente do que me faz bem ou mal. Preciso estar consciente de quem fui, o que quis, o que me incomodou, o quanto evoluí... e a falta de registro camufla a verdade, deixa-me inquieto.
Então eu escrevo. Guardo debaixo de sete chaves, releio pelo menos uma vez por ano, dou risada, emociono-me. Porque o que de mais importante já passou pela minha mente, com os detalhes mais sórdidos ou perfeitos, nunca foram publicados neste blog. O que de mais relevante passou pelos meus pensamentos, está lá nos meus milhares de papéis, como uma testemunha fiel que não deixa eu me perder. E essa prática, tão simples e cotidiana, nada mais é que o complemento de um vídeo ou uma fotografia. É a prova de que a vida esteve ali. Repleto de felicidade e entusiasmo ou decepções e incertezas.
A memória seletiva pode fazer com que a maioria das pessoas perca partes algumas vezes preciosas de suas histórias. Porque a entropia se faz presente em toda a nossa trajetória: assimilamos só aquilo que queremos ou o que nos convém. E eu não quero perder nada e tenho orgulho de tudo. 
Gosto da chance de poder visitar de vez em quando o meu passado - quase que enxergando o dia em que tive aquele papel e aquela caneta em mão e confirmar que tudo o que vivenciei tinha realmente porquê. Ou perceber que não é mudando o meu modo de agir, o famoso fazer o diferente, poderia buscar as coisas que quero. Ou ainda quem sabe me orgulhar ao constatar que tudo o que almejei se concretizou sem que eu passasse por cima dos meus valores.


Sigo meu caminho deixando rastro mesmo... para jamais esquecer quem eu sou, de onde vim e tudo o que passei para chegar até aqui, como sou hoje.

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