Quando eu era mais novo vivia gritando aos quatro ventos que não tinha sonhos, apenas objetivos. Hoje percebo que o que eu sentia nada mais era do que um enorme receio de que a minha imaginação não ultrapassasse a tênue linha da realidade.
Ao longo dos anos fui percebendo que não havia nada de utópico em sonhar acordado. Que eu não precisava ter medo de falar sobre meus sonhos. E de assumir que eram mesmo sonhos. Muita gente que eu admiro e que fez coisas maravilhosas mundo afora um dia foi chamada de sonhador, de forma pejorativa.
Viver, amadurecer e enfrentar as delícias e os dissabores da independência fez-me perceber que os sonhadores nada mais são do que corajosos em potencial. Que idealizam situações – às vezes aparentemente impossíveis – e vão atrás do que querem com obstinação, paciência, foco e disciplina.
Não recrimino, e nem poderia, quem faz isso jogado na sala do sofá, esperando que as oportunidades ou mudanças batam na porta, mas também não me peçam pra entender.
Uma vez que nunca tive uma vida infeliz, ao olhar pra trás, sinceramente, não lembro o momento exato em que decidi que não seria uma dessas pessoas. Lembro somente da sensação de desconforto que me acompanhava a cada filme que assistia, a cada livro que lia, a cada férias que, diferente de muitos amigos e conhecidos, eu não podia viajar pelo país.
Assumi que tinha sonhos e que poderia trazê-los para a vida real quando tive consciência de tudo o que deixaria de conhecer e aprender, caso ficasse na inércia. E decidi que ia torná-los parte do meu dia-a-dia quando tive certeza de que isso dependia só de mim.
Como dizia William Jennings Bryan, o destino não é uma questão de sorte, mas de escolha. Não é uma coisa que se espera, mas que se busca.
E então… já sonharam acordados hoje?
Um comentário:
Adorei
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