Quando era adolescente a necessidade de querer estar sempre fora de casa, às voltas com os amigos, não me deixava entender algo que hoje é tão óbvio.
Profissionais com a vida movimentada, como artistas e empresários, apareciam nas revistas enaltecendo os momentos de reclusão. Ao serem perguntados o que gostavam de fazer nas horas vagas, a resposta era uma só: ficar em casa.
No auge da minha mente inquieta, onde tudo parecia ser motivo para estar na rua, lembro de achar tal consideração totalmente incabível e distante da minha realidade. Ser obrigado a não sair, quando não me deixavam ir a algum lugar onde todo mundo estaria, era sofrido demais. E pensava com meus botões: - como essa gente, cheia de dinheiro, repleta de amigos e com potencial para levar uma vida sociável ao extremo, prefere ficar em casa? Fazendo o quê, a propósito?
Agora me lembro disso e acho graça. Concluo que, embora clichê, aquela velha frase é sempre verdadeira: o mundo dá mesmo voltas.
Hoje levo uma vida que se traduz em mudanças, correria e falta de horários ou rotina. Acordar num estado e dormir em outro, viajar, trabalhar 25 dias por mês e nunca saber como exatamente vai ser meu dia seguinte, faz com que eu, quando estou em casa, coloque a quietude em primeiro plano.
Não faltam pessoas que me recriminem e, assim como acontecia comigo antigamente, custem a entender o que me faz passar um sábado de sol jogado no sofá da sala, assistindo filmes. Sexta-feira à noite, ficar deitado na rede lendo um bom livro, ainda mais difícil de compreender.
O lado reconfortante é saber que a maturidade vem cercada de muitas certezas. As principais? Que não preciso provar nada pra ninguém e, muito menos, estar onde todo mundo está.
Continuo achando que levar a vida em ritmos diferentes é inexplicavelmente prazeroso, mas, aqui entre nós, cansativo. Amo viajar, amo minha profissão, amo toda essa loucura, mas, justamente por tudo ser tão intenso que hoje digo com convicção: uma das coisas que mais gosto de fazer nas horas vagas é, vejam só, ficar em casa. Sozinho ou acompanhado, no silêncio ou com música a todo volume, não importa... estando aqui me sinto feliz.
Um comentário:
Nada melhor q nossa casinha, qdo temos uma folga!
Concordo plenamente!
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