A gente se culpa demais, exige muitos de nós mesmos, dos outros, queremos a perfeição, quando esta não ainda possível.
Nos culpamos por que não temos o casamento perfeito, a namorada mais linda, o carro do ano, a casa dos sonhos, a vida das novelas, os filhos mais inteligentes, os pais mais atenciosos do mundo, a infância perfeita, os amigos mais presentes, e vamos assim carregando o peso do mundo nos ombros, como se tudo fosse culpa nossa, uma obrigação nossa vencer.
E ainda, quando olhamos a vida dos outros, parecem todos perfeitos, sorridentes, felizes, mas nem sabemos o preço que pagaram para chegar onde estão e o que passam de verdade em suas vidas.
Nem todos serão e são felizes, tem vidas perfeitas, eles sofrem, choram, devem, vivem, sentem medo, dor, insegurança, mas a gente não percebe isso e gostaria de estar lá, levando a vida deles ou igual. Não que seja um crime ou pecado, nada disso, mas é importante termos a consciência de que nem todos poderão ter tudo o que sonham.
E fazer o quê? Nada, pelo menos não se culpar e parar de exigir menos, viver a vida que se tem e nada mais, as coisas acontecerão, se for pra acontecerem, cedo ou tarde elas virão. E se não chegarem, paciência, não foi a sua vez.
A vida não poderá abençoar a todos, isso é fácil de verificar, pois nem todo mundo chegará a perfeição, terá o carro do ano, o corpo perfeito, a vida desejada, as viagens inesquecíveis, fará tudo bem feito e sem erros, defeitos. Mas por outro lado, todos podem viver sem culpar por aquilo que não logrou, por tudo que apenas sonhou e nunca realizou ou não vai mais poder concretizar.
Como dizem por aí, um copo pela metade, podemos focalizar no que falta ou no que tem-se para beber. Existem pessoas que passam a vida inteira pensando apenas nas coisas que poderia ter e esquece as coisas que tem, suspira pelos amores que nunca viveu e não dá valor aos amores que pode amar, faz planos para uma vida que nunca terá e não tem coragem de organizar a vida de que dispõe.
É uma questão muito particular, que cada um de nós pode refletir, uma vez que ninguém pode viver a nossa vida.
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