segunda-feira, 27 de abril de 2009

E quando você se torna alguém que sempre repudiou?

Meu ano começou com a bonança antes da tempestade, fato. Voltar de mudar novamente de cidade com muitas experiências, infinitas cobranças e pouco dinheiro no bolso foi bastante confuso pra mim. O cara decidido se transformou sem nem perceber. Poderia citar diversos defeitos que acredito terem se aflorarado por aqui, mas tem um que traduz tudo o que quero dizer: chato. Tornei-me a pior companhia. Pra mim. Pros outros. (ninguém me disse isso, mas devem ter pensado haha)


Eis que em uma conversa com uma amiga especial (leia-se: minha mãe) fez a ficha cair. No telefone, eu estava exultante e, assim como de costume, minha voz transparecia uma alegria sem motivo. - Como estão as coisas? - Maravilhosas!!!!! - Que bom ouvir isso depois de tanto tempo... Depois de tanto tempo? Como assim? Quer dizer que ando reclamando demais? A consideração dela foi simples, mas, pra mim, teve um significado enorme. A chacoalhada na alma me fez perceber o quanto eu estava diferente. A partir desse telefone, começei a tentar uma vida mais, digamos, "na boa" com menos cobrança (tanto minhas em relação aos outros como em relação a mim mesmo) e deixando as coisas fluirem e acontecerem no seu ritmo. Porque sempre acredito que ao nos dedicarmos a tudo que nos propomos a fazer as coisas caminham sempre da melhor forma possivel.


Ainda não entendi o fato de ter me tornado esse tipo de pessoa a época... Pode ter sido o calor (verão me deixa menos animado), a tristeza pode ter sido pela a saudade da família, amigos, a realidade de ter que pagar inúmeras contas... na verdade, não sei exatamente. Só sei que não admito ser assim. E aí, como num passe de mágica, voltei a enxergar meus dias com os olhos do coração. Porque às vezes só o que a gente precisa é da sinceridade alheia pra se dar conta de certas coisas.


Parafraseando Jeanette Waller, tudo na vida é uma benção e uma maldição: cabe a nós decidir onde manter o foco. E eu, repito, recuso-me a ser como as pessoas que vivem encontrando desculpas pra uma grosseria, uma carência, um vitimismo, uma dor, um cansaço. Já parou pra pensar? As pessoas fortes são bem humoradas também na adversidade. Enquanto as fracas, mesmo na abundância, de tudo reclamam. Após o tropeço, continuo acreditando que inclusive os períodos incertos ou tediosos têm sua importância.


Desta vez, muitas lições. A principal delas é também a mais óbvia: sou humano, afinal de contas. Cheio de fraquezas, é verdade, mas com muito mais força pra decidir de que forma quero viver. Olhar pra trás um dia e constatar que consegui receber com equilíbrio e serenidade cada tempo ruim. Tempo bom sempre, como nos comerciais de margarina, nem quero e nem preciso. Qual a graça, a propósito? Quero mais é que venham dúvidas e problemas para que eu nunca pare de progredir. Porque ser feliz é uma questão de decisão e vontade.

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