Escrevo porque nessa gigantesca embarcação de pensamentos, flutuando sobre esse mar de almas exiladas, a palavra impulsiona minhas velas de idéias e me move, retirando-me dessa maldita cela que subjulga a mente.
Escrevo pra esquecer, esquecer parte de uma vida que se impõe todos os dias em espelhos dotados de reflexos distorcidos do meu rosto estranhamente sorridente. Escrevo pra dizer aquilo que minha voz, às vezes selada junto ao peito maltrapilho, silencia sobre mim.
Escrevo pois enquanto minhas mãos transformam em verbo meus pensamentos, sinto-me liberto - um prisioneiro sem grilhões, objetivos, metas, razões, horizontes, apenas correndo e correndo e correndo e correndo... com um infinito nada a cercar por todos os lados.
Escrevo sonhos, escrevo vidas que se confrontam todos os dias, pensamentos que como loucos revoltos fazem da consciência uma revoada de pétalas de cetim, porque é com isso que batalho contra essa boca de mil dentes, que louca e diariamente tenta devorar meu peito, estraçalhar a vida tão sedenta por cores, abismos de sensações, céus de corações flutuantes.
Escrevo porque nas palavras que riscam o vazio de a pouco, é que sinto a vida, e nesse mundo canalha e sujo, o que pode ser mais importante do que sentir isso?
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