quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Into the Wild


Ontem, após um dia de muito trabalho, resolvi alugar um filme e assisti-lo com pipoca e guaraná, para relaxar um pouco. Na escolha do filme fui muito feliz, Into the Wild é o nome original do livro escrito por Jon Krakauer em 1996, que conta a história verídica de Christopher McCandless. Em 2007, o livro foi adaptado para o cinema, cujo filme recebe o mesmo nome, e na versão em Português "Na Natureza Selvagem". Trago esse filme para o post de hoje pois simplesmente gostei muito. A mensagem que ele transmite é maravilhosa, se você não viu, aconselho. É uma aventura, um drama e uma biografia; tem 140 minutos e foi dirigido por Sean Penn, também diretor dos filmes Uma lição de amor (I am Sam), Sobre meninos e lobos (Mystic River) e 21 gramas (enfim uma tradução condizente, 21 grams).

Após concluir seu curso na Emory University, o brilhante aluno e atleta Christopher McCandless abre mão de tudo o que tem e de sua carreira promissora. O jovem doa todas as suas economias - cerca de US$ 24 mil - para caridade, coloca uma mochila nas costas e parte para o Alasca a fim de viver uma verdadeira aventura. Ao longo do caminho, Christopher se depara com uma série de personagens que irão moldar sua vida para sempre. Mais do que isso, acredito que ele tenha mudado a vida das pessoas que encontrou no caminho. Todas queriam que ele fizesse parte de suas vidas. E ele as fez refletir sobre suas próprias vidas.

Recheada de citações literárias ásperas e de caráter contestador, a história aborda várias possibilidades de vida fora do sistema, assim como seus motivos e problemas; o que definitivamente nos faz refletir muito. Refleti muito sobre o sistema em que estou inserido, em que estamos inseridos. E dá vontade de burlar ele, ou ao menos tentar modificá-lo.

Fiquei tão fascinado com o filme que procurei pesquisar um pouco sobre a vida Chris McCandless. Sua história tornou-se conhecida através do artigo publicado por Krakauer, que por sua vez precisou também de muito esforço para reconstituir os passos Alexander Supertramp (nome adotado pelo autor). Depois que saiu de casa ele não entrou em contato com a família. Foram dois anos sem contato, sem cartas e nem telefonemas. Tanto que o filme é entrecortado por passagens escritas por ele num caderno que levava consigo, e também por depoimentos de sua irmã (no filme, interpretada por Jena Malone) sobre o que sentiu na época do desaparecimento dele.

Importante para o filme também é a fotografia que em muitos momentos coloca o personagem em proporções naturais em meio a natureza, ressaltando o que há de ególatra naqueles que julgam ser possível submeter as questões naturais aos nossos desígnios. O que surge é uma fotografia convencional e bela, intercalada com tentativas e enquadramentos mais ousados, talvez fugindo da obviedade fotográfica.

Não vou contar o final por motivos evidentes, mas deixo dito que esse é um daqueles filmes que nos fazem pensar, de verdade, que sentido significativo podemos dar a nossa vida.

Algumas frases do filme:

"O importante não é ser forte, mas sentir-se forte."

"Eu vou parafrasear Thoreau aqui... mais que amor, que dinheiro, que fé, que fama, que equidade... dê-me a verdade."

"Quando você perdoa, você ama. E quando você ama, a luz de Deus brilha em você."

No início, McCandless pensava: "Você não precisa de relacionamento humano para ser feliz, Deus colocou tudo ao redor de nós." No final de sua experiência, ele nos traz a coisa mais bela que poderia ter aprendido - e nos ensinado:
"A felicidade só é real quando partilhada".

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