quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Bipolaridade

"Faço menos planos e cultivo menos recordações. Não guardo muito papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço seus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível. Canso menos, me divirto mais e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós". (Martha Medeiros)

A partir da leitura desse trecho me caiu a ficha. Nós todos estamos em constante mudança. Alguns dias atrás eu e uma amiga estávamos conversando em como mudamos de opinião. Um dia queremos ser invisíveis no outro queremos ser notados, um dia amamos em outro odiamos, um dia queremos gritar no outro chorar, um dia queremos ficar sozinho no outro não suportamos a solidão, um dia queremos viver ao máximo no outro queremos apenas sair de casa , esse 'um dia' que estou falando pode ser um minuto, uma hora, uma semana, um mês.

A bipolaridade ataca a todos. É engraçado como através de uma leitura, de um filme,de uma reunião com os amigos, da análise de uma obra, de uma música, de uma tarde solitária, de uma noite não dormida, mudamos nossa maneira de pensar e agir. Deixando bem claro que isso não é ser maria-vai-com-as-outras e sim, ter a cabeça aberta a novas percepções, concepções, é a partir delas que construímos nossa própria opinião.

Isso pode ser visto como insegurança, talvez, mas acredito que não. O que seria da matemática, da geografia, da história, sem as progressões, descobrimentos?! A nossa opinião é o resultado da reflexão feita a partir do agrupamento de pensamentos e idéias - ou melhor ideias - e esta está e estará em constante mudanças no percorrer da nossa vida. Este é o resultado da convivência, da vida em sociedade.

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