quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O espetáculo continua....

Como diria o escritor Guy Debord em sua principal obra: A Sociedade do Espetáculo. "Este desenvolvimento exclui o qualitativo estancando, enquanto desenvolvimento, a passagem qualitativa: o espetáculo significa que ele transpôs o limiar da sua própria abundância; isto ainda não é verdadeiro localmente senão em alguns pontos, mas já é verdadeiro em escala universal, que é a referência original da mercadoria, referência que o seu movimento prático confirmou, definindo a terra como mercado mundial."

As recentes tragédias em Santa Catarina e suas consequências evidenciaram, entre outras coisas, a falta de cultura do Brasil no que se refere à Defesa Civil e, mais do que isso, a falta de um olhar crítico por parte da mídia de massa no que se refera a responsabilidade das autoridades no sentido de mudar este quadro de falta de estrutura para atender as vítimas de catástrofes. Em vez disso, o protagonismo ficou, mais uma vez, por conta do espetáculo.

As grandes catástrofes mudiais não avisam nem a hora e nem o lugar onde ocorrerão. Sendo assim, as sociedades devem estar organizadas para fazer frente aos desafios provocados pelas intempéries, de maneira a minimizar os danos pessoais, materiais e psicológicos. Em muitas nações do mundo dito civilizado – a exemplo da maioria dos países europeus, bem como no Japão, na Austrália –, os governos já têm uma cultura de Defesa Civil, o que facilita muito a atuação quando da ocorrência de tragédias.

Mas no Brasil, desafortunadamente, nossos governantes ainda não "entenderam" a necessidade de ações nesse sentido e, em conseqüência disso, continuamos no amadorismo, na confiança no "fator solidariedade" - (não quero aqui dizer que não devemos ser solidários com nossos irmãos catarinenses, longe disso, mas além de fazermos doações, nossa solidariedade também deve ser voltada para a criação de uma eficaz defesa civil e meios de se evitar outras tragédias como essa) - e, claro, tudo isso aliado à conivência dos meios de comunicação de massa, que não cumprem o papel de porta-vozes da cidadania, deixando de realizar uma cobrança efetiva no que se refere à tomada de atitude do Estado para mudar o quadro. Pelo contrário, há um reforço à irresponsabilidade.

5 comentários:

Anônimo disse...

Também concordo com a sua opinião. "Uma tragédia esperada"
Nas várias matérias sobre o assunto, qualquer coisa sobre a responsabilidade do governador do estado em ter reduzido a área de proteção vegetal do solo. A ocupação desordenada do solo por camadas menos privilegiadas.

Anônimo disse...

Muita Boa sua reflexão! Mesmo com as freqüentes e constantes tragédias anteriores, em Santa Catarina e em outras cidades do país, o que não se vê no Brasil uma cobrança sistemática das autoridades por parte dos meios de comunicação da adoção de medidas que realmente impeçam ou, pelo menos, atenuem os problemas das chuvas que se repetem, com maior ou menor intensidade.

Anônimo disse...

Não há dúvidas de que a solidariedade é extremamente importante. Mas, em casos como este, o que realmente faz a diferença é a atuação firme, determinada, organizada e estruturada do Estado, não somente viabilizando o resgate de pessoas, animais e bens materiais, quando possível, mas, aliado a isso, garantindo dignidade às vítimas, oferecendo-lhes abrigos decentes, com alimentação, camas, roupas e acompanhamento psicológico, como acontece nos países que contam com governos que respeitam sua cidadania

Anônimo disse...

A sociedade brasileira está "órfã", entre outras coisas, de um olhar crítico proporcionado pelos meios de comunicação – pelo menos aqueles que estão à disposição da maioria. Isto, aliado a outras mazelas (analfabetismo, analfabetismo funcional, analfabetismo político...) tem servido como um suporte deveras importante para a falta de atuação dos poderes públicos no que tange aos interesses sociais.

Anônimo disse...

Aqueles que estão à frente do Estado se valem dos discursos sofismáticos e vêm conseguindo se manter no poder pela via legal, ainda que sejam notadamente nocivos à sociedade.